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Religioquês: Eugene H. Peterson explica por que isso afasta pessoas

Publicada em: 07/05/2026 10:43 -

Em "A verdade oblíqua", Eugene H. Peterson explica por que histórias funcionam melhor que discursos

Antes de o storytelling virar técnica de marketing, o uso de contação de histórias como forma de persuasão já era central na comunicação de Cristo. Segundo o pastor e escritor Eugene H. Peterson, isso explica por que narrativas ainda hoje têm mais impacto do que argumentos diretos. Séculos atrás, Jesus já evitava definições teológicas ao tratar de temas sensíveis, preferindo uma linguagem indireta para envolver o ouvinte.

A estratégia não era facilitar o entendimento, mas impedir a rejeição automática, conforme Peterson analisa no novo livro A verdade oblíqua (Mundo Cristão). Ao invés de dizer o que pensar, Jesus criava situações em que era impossível não se reconhecer. Uma proposta que contrasta com um traço recorrente da linguagem religiosa atual: técnica, pouco acessível e, muitas vezes, incapaz de gerar conexão real. Para o autor, quando a fé se reduz só a conceitos estruturados, ou ao famoso ‘religioquês’, perde sua força porque deixa de engajar.

A seguir, confira três momentos em que Cristo usou esse recurso pedagógico para provocar reflexão e atrair o interlocutor, em vez de afastar.

  1. O próximo (Lucas 10): Diante de uma pergunta teórica sobre “quem é o próximo”, Jesus responde com uma história: um homem ferido é ignorado por dois religiosos e socorrido por um samaritano. Ao final, ele inverte a lógica: não importa identificar quem é o próximo, mas tornar-se próximo de quem precisa. A resposta deixa de ser um conceito e vira prática.
  2. O construtor de um celeiro (Lucas 12): Um homem pediu a Jesus que resolvesse uma disputa de herança. Em vez de assumir o papel de juiz, ele expõe o problema por outro ângulo: identifica a ganância por trás do pedido aparentemente justo e conta a história de um homem que acumulou bens, mas morreu sem usufruí-los. Com isso, evita a acusação direta e leva o próprio ouvinte a perceber que a questão não era a divisão da herança, mas a relação com o dinheiro.
  3. Os irmãos perdidos (Lucas 15): Diante das críticas por se associar a “pessoas erradas”, Jesus contou a parábola do Filho Pródigo. O ponto decisivo está no final em aberto do irmão mais velho (aquele que faz tudo certo, mas se recusa a entrar na festa ao ver o pai acolher o filho que errou). Ao não concluir a história, Jesus transfere a decisão para o ouvinte: agir como o irmão mais velho, com ressentimento, ou aceitar a lógica do pai, que acolhe antes de cobrar? A parábola deixa claro que não se trata apenas de comportamento, mas de disposição para participar, ou não, da reconciliação.

Ficha Técnica:
Título
: A verdade oblíqua
Subtítulo: Uma conversa sobre a linguagem indireta de Jesus em suas histórias
Autor: Eugene H. Peterson
Editora: Mundo Cristão (2ª edição, 2026)
Páginas: 272
ISBN: 978-65-5988-521-3
Formato: 15 x 23 cm
Preço: R$ 69,90
Onde encontrarAmazon e principais livrarias do país

Sobre o autor: Eugene H. Peterson (1932–2018) foi pastor, teólogo e escritor. Graduou-se pelo Seminário Teológico de Nova York e pela Universidade Johns Hopkins. Fundou a Igreja Presbiteriana Cristo Nosso Rei, onde exerceu o ministério por 29 anos. Foi docente em Teologia da Espiritualidade na Faculdade Regent, no Canadá. É autor de mais de trinta livros, incluindo a celebra paráfrase da Bíblia, A Mensagem.

Sitehttps://petersoncenter.org/

Sobre a editora: Fundada em 1965, a Editora Mundo Cristão é referência na publicação de Bíblias e livros de ficção e não ficção pautados por uma postura teológica cristã equilibrada e histórica. Com um catálogo diverso, a editora promove o crescimento espiritual e pessoal de seus leitores.

Instagram
@mundocristao

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